terça-feira, 22 de setembro de 2009

NU NERY RELIDO NO PALCO

Imagens da leitura dramática do texto "Nu Nery", realizada na programação da "Semana Ismael Nery - Oitenta Anos Exposto de Belém para o Mundo"








"O ser humano é uma criação de sua própria mente e da mente do outro. É, na soma final dos sentimentos, um ente organicamente formado pelas emoções encerradas em si mesmo e pelas emoções que provêm do coletivo. Um ser humano, portanto, é igual ao pedaço do seu eu somado a um terço do vizinho, à metade de qualquer conterrâneo e ao inteiro de quem desconhece!..." (trecho de NU NERY, de Carlos Correia Santos)

domingo, 13 de setembro de 2009

SEMANA ISMAEL NERY - BOLETIM 01 - LEITURA DRAMÁTICA DE NU NERY E SARAU


Uma nova roupagem para um dos mais bem sucedidos projetos teatrais nortistas. Depois de circular por várias cidades brasileiras numa montagem formal, a peça “Nu Nery”, de Carlos Correia Santos, será apresentada em Belém com estética diferenciada. O texto será mostrado ao público da capital paraense sob a forma de leitura dramática nesta segunda, dia 14, a partir das 20h, no Teatro Margarida Schivasappa, no Centur. A entrada é franca. O evento faz parte da programação da “Semana Ismael Nery – Oitenta Anos Exposto de Belém para o Mundo”, realização do Governo do Estado do Pará, através da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (Diretoria de Leitura e Informação / Sistema Estadual de Bibliotecas do Pará). O empreendimento tem apoio cultural do Espaço Atores em Cena.

O elenco da leitura contará com os atores Luiz Fernando Vaz, Luis Girard e Vaneza Oliveira. A direção é de Stéfano Paixão. A iluminação é de Kleber Farias. Inspirada na obra de Wagner, a sonoplastia é assinada por Dan Vitória. “Vamos apresentar um conceito bem diferente para obra. A proposta da leitura dramática é bastante interessante porque aproxima a platéia do universo dos bastidores de uma montagem. É uma estética mais despojada, mas ainda assim cênica”, detalha o diretor Stéfano Paixão.

ENREDO

Parte do projeto “Figuras Entrelaçadas” e obra vencedora do Prêmio IAP de Literatura, “Nu Nery” gira em torno do enigmático e instigante triângulo intelectual formado por Ismael, sua esposa Adalgisa Nery – outro grande vulto histórico nacional – e Murilo Mendes. “A relação paradoxal de simbiose e dispersão que havia entre esses três era apaixonante”, revela Carlos Correia Santos. Ele conta ainda que Adalgisa fugiu de casa aos dezesseis anos para casar com Ismael. “Ela amou aquele homem serena e violentamente até o fim”. Murilo, ao seu tempo, foi o guardião do acervo do artista plástico. “Ele recolhia do lixo as telas que o amigo, nas explosões de temperamento, jogava fora. Se agora conhecemos o talento de Ismael, devemos isso a Murilo”.

ANTES E DEPOIS

A leitura cênica de “Nu Nery” será precedida, nesta segunda-feira, por um sarau no qual a poeta Josette Lassance dirá para o público poemas surrealistas escritos por Ismael já perto de sua morte. São textos raros, bastante aplaudidos pela crítica. O recital acontece às 19h, no hall Benedicto Monteiro. A programação também contará com a exibição do programa “Regatão Cultural”, produzido pela TV Cultura em homenagem a Ismael.

A programação da Semana Ismael Nery vai até sexta-feira e trará também leitura dramática do texto “Alma Imaginária” (terça, 15h, na Biblioteca Arthur Vianna), ciclo de palestras e a estreia do mini-espetáculo “”I.N.01 – Ismael e Três Traços” (de 16 a 18, no Líbero Luxardo).

ISMAEL E A EXPOSIÇÃO

Ismael Nery nasceu em Belém no dia 09 de outubro de 1900, filho de Marieta Macieira e o do médico Ismael Nery. Ainda menino, mudou-se para o Rio de Janeiro e logo começou a viver tragédias pessoais. Perdeu o pai e o único irmão muito cedo. Por conta de tantas fatalidades, sua mãe mergulhou num processo de esquizofrenia que perturbaria o artista por longos anos. A imagem da loucura estaria estampada em muitas de suas telas. Talentoso desde muito jovem, foi aluno da tradicional Escola Nacional de Belas Artes, onde também estudara o paraense Theodoro Braga. Irrequieto, Ismael foi mais de uma vez à Europa e teve a chance de se aproximar de lendas como Picasso, Léger, Max Ernst, Chagall e André Breton. Em especial o contato com este último fez com que Nery se transformasse em um dos introdutores do surrealismo na Arte Brasileira.

Em setembro de 1929, o artista decidiu fazer sua primeira grande exposição em Belém. Montada no hall do Palace Theatre, do antigo Grande Hotel, a mostra foi recebida com certa indiferença pelos paraenses. Eneida de Moraes, Bruno de Menezes e alguns outros poucos intelectuais nortistas souberam compreender a genialidade do pintor. Em nível nacional, seu traço inovador contou com a admiração de Mário de Andrade e as mais severas críticas de Oswald de Andrade. Tido como “artista maldito”, Ismael foi diagnosticado como tuberculoso em 1930. No fim da vida, começou a escrever versos livres e poemas em prosa. Textos angustiantemente belos. Em dezembro de 1933, seu estado de saúde se agrava e, por fim, no dia 06 de abril de 1934, o artista morre. Hoje, Ismael Nery é festejado como um dos maiores mestres do Modernismo Brasileiro.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

domingo, 6 de setembro de 2009

SEMANA ISMAEL NERY


PROGRAMAÇÃO EM HOMENAGEM AOS OITENTA ANOS DA PRIMEIRA
GRANDE EXPOSIÇÃO DO ARTISTA PLÁSTICO PARAENSE ISMAEL NERY
(BELÉM: SETEMBRO DE 1929 – SETEMBRO DE 2009)

A História, a Memória Cultural e o melhor da Arte sabem: Belém do Pará é atelier de grandes e universais mestres. Prova disso é a poderosa assinatura deixada por Ismael Nery nas telas do Modernismo brasileiro. As telas de Nery hoje valem milhões e figuram no acervo de importantes colecionadores e de museus do mundo. Nascido na capital paraense no ano de 1900 e posteriormente trasladado para o Rio de Janeiro, Ismael tornou-se uma das maiores referências das nossas artes plásticas.

Um dos introdutores do Surrealismo no cenário artístico nacional, introdutor da androgenia no universo pictórico tupiniquim e criador da corrente filosófica conhecida como o Essencialismo (que pregava a abstração do tempo e do espaço), esse gênio ímpar escolheu sua terra natal, Belém, como cenário para sua primeira grande exposição. A mostra ocupou o hall do Palace Theatre, no célebre Grande Hotel, entre os dias 07 e 15 de setembro de 1929.

Os ares de 2009 pontuam, portanto, os oitenta anos desse marco para o rumo da pintura brasileira. A decisão de fazer de Belém o leito em que deu à luz a genialidade de suas tintas fez com que Ismael transformasse a capital paraense num capítulo singular. A data não podia, de forma alguma, passar despercebida. Por esta razão, o Governo do Estado do Pará, através da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, numa iniciativa da Diretoria de Leitura e Informação, em parceria com o Sistema Estadual de Bibliotecas, apresenta a Semana Ismael Nery: Oitenta Anos Exposto de Belém para o Mundo.

Destinada a comemorar esse momento ímpar em nosso calendário cultural, a programação abrangerá palestras, performances cênicas e leituras dramáticas inspiradas no legado de Ismael Nery. O evento acontecerá no Hall Benedicto Monteiro, no Cine Líbero Luxardo, no Teatro Margarida Schivasappa e na Biblioteca Arthur Vianna, entre os dias 09 e 18 de setembro.

OS EVENTOS

A) MINI-SARAU DIÁLOGOS COM ISMAEL NERY

Os poetas Josette Lassance, Luis Carlos França e Carlos Correia Santos apresentarão ao público do evento um mini-sarau no qual farão com que suas obras dialoguem com alguns dos poemas surrealistas criados por Ismael Nery pouco antes de sua morte.

B) CICLO DE PALESTRAS

Análises sobre traços da obra do pintor e poeta paraense Ismael Nery serão divulgados, debatidos e detalhados num ciclo de palestras que abrangerá os seguintes temas:

Palestra Um (Tema): Ismael Nery, um Paraense que Pintou a Ousadia
Ministrante: Carlos Correia Santos (poeta, dramaturgo e pesquisador sobre Ismael).
Conteúdo: Palestra que fará junto ao público um apanhado geral sobre a produção artística de Ismael Nery. Quais fases compõem a obra do artista (expressionismo, cubismo e surrealismo). Quais suas principais obras na pintura. Por que hoje ele é considerado um pintor tão importante e valioso. Como e por que ele iniciou sua produção poética. O que é o Essencialismo, corrente filosófica que criou.

Palestra Dois (Tema): Ismael Nery Traços de Uma Biografia
Ministrante: Carlos Pará (editor da revista Pará Zero Zero)
Conteúdo: Palestra que relatará aspectos da biografia de Ismael. Origens familiares. Vivencias no Rio de Janeiro e ingresso na Escola Nacional de Belas Artes. Viagens para Europa. A exposição em Belém: importância e repercussão. Morte aos 33 anos, vitima de tuberculose.

Palestra Três (Tema): O Valor Artístico da Poesia de Ismael Nery
Ministrante: Sheila Maués (Professora de Literatura).
Conteúdo: Palestra que mergulhará nos aspectos artísticos dos poemas criados por Ismael Nery. Quais são as características literárias dessa obra. Quais as particularidades da produção poética de Ismael.

C) PERFORMANCE ESPECIAL

A programação contará a com apresentações da performance I.N 01 – ISMAEL EM TRÊS TRAÇOS, obra teatral especialmente criada para o evento pelo dramaturgo Carlos Correia Santos, autor que há mais de seis anos pesquisa e transporta para os palcos traços bio-artísticos do universo que cerca Ismael Nery. Em ISMAEL EM TRÊS TRAÇOS, três atores vivem alter-egos de Ismael e mergulham nas expectativas e impressões que o artista nutria a respeito da exposição que fez em Belém, em 1929.

D) LEITURA DRAMÁTICA DO TEXTO TEATRAL NU NERY

A programação contará ainda com apresentação de uma leitura dramática do texto teatral NU NERY, escrito por Carlos Correia Santos. A obra já conquistou diversos prêmios, como o Prêmio IAP de Literatura, o Funarte Petrobras de Fomento ao Teatro, Prêmio Caravana Funarte Petrobras de Circulação Nacional e o Caixa Cultural. O texto já foi apresentado em diversas cidades brasileiras, como Brasília, Natal, São Luis, Recife e Camaçari. Na dramaturgia criada por Correia, o foco se abre sobre o intenso, perturbador e belo triangulo travado por Ismael, sua esposa Adalgisa Nery e o poeta mineiro Murilo Mendes, amigo do casal.

E) LEITURA DRAMÁTICA DO TEXTO TEATRAL ALMA IMAGINÁRIA

A programação contará também com apresentação de uma leitura dramática do texto ALMA IMAGINÁRIA, também do escritor Carlos Correia Santos, obra que conta a trajetória de Adalgisa Nery, esposa de Ismael. A leitura será realizada pelo Grupo de Teatro Palha.

F) PROGRAMAÇÃO PARALELA NA BIBLIOTECA ARTHUR VIANNA

Ao lado de toda a programação de palestras, performances e leituras cênicas, a Biblioteca Pública Arthur Vianna disponibilizará aos usuários uma exposição com obras literárias ligadas à trajetória do poeta e pintor paraense Ismael Nery.

G) PROGRAMA ISMAEL NAS BIBLIOTECAS

Através do Sistema Estadual de Bibliotecas, exemplares da obra “Nu Nery”, editada pelo IAP, serão doados a bibliotecas dos 143 municípios paraenses.

CRONOGRAMA

Programação Paralela

De 09 a 18 de Setembro
Exposição Páginas de Ismael Nery: exposição de obras literárias relacionadas a Ismael Nery, Adalgisa Nery e Murilo Mendes
Local: Hall Biblioteca Pública Arthur Vianna

Dia 14 de Setembro
Local: Hall Benedicto Monteiro
19h - Abertura Oficial da programação
• Exibição do programa Regatão Cultural (da TV Cultura) sobre Ismael Nery
• Mini-Sarau “Diálogos com Ismael Nery”: participações dos poetas Josette Lassance, Harley Dolzane e Luis Carlos França

20h – Leitura Dramática da Peça Nu Nery
Local: Teatro Margarida Schivasappa

Dia 15 de Setembro
Das 15h às 16h – Leitura Dramática do texto ALMA IMAGINÁRIA, com o Grupo de Teatro Palha
Local: Hall da Biblioteca Arthur Vianna

Dia 16 de Setembro
Das 10h às 11h30 – Palestra Ismael Nery, um Paraense que Pintou a Ousadia
Das 16h às 17h – Performance I.N 01 – ISMAEL EM TRÊS TRAÇOS e bate papo sobre a obra de Ismael
Local: Cine Líbero Luxardo

Dia 17 de Setembro
Das 10h às 11h30 – Palestra Ismael Nery Traços de Uma Biografia
Das 16h às 17h – Performance I.N 01 – ISMAEL EM TRÊS TRAÇOS e bate papo sobre a obra de Ismael
Local: Cine Líbero Luxardo

Dia 18 de Setembro
Das 10h às 11h30 – Palestra O Valor Artístico da Poesia de Ismael Nery
Das 16h às 17h – Performance I.N – ISMAEL EM TRÊS TRAÇOS e bate papo sobre a obra de Ismael
Local: Cine Líbero Luxardo

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ESPETÁCULO INFANTIL MOSTRA IMPORTÂNCIA DE LER











Matéria publicada no jornal DIÁRIO DO PARÁ
Em 24 de agosto de 2009

Por Dominik Giusti

A memória é uma caixinha de lembranças, uma biblioteca de sentimentos. Basta sentir um cheiro, assistir a um filme, ouvir uma música, que arquivos mentais começam a ser revirados e trazem à tona os sentimentos mais profundos, como se os momentos da vida fossem capítulos de um livro. E foi sobre lembranças, morte e literatura que o dramaturgo paraense Carlos Correia Santos escreveu seu primeiro texto teatral voltado para o público infantil, “Biblioteca Mabu”.

Toninho, o personagem principal, está no enterro de seu avô Manuel, que era apaixonado por livros. O menino cochila em um banco, e em seus sonhos surgem personagens conhecidos da literatura paraense e nacional, por meio de Mabu, um ser encantado que leva o garoto ao mundo mágico dos livros e das histórias infantis. Mabu representa a figura do avô, que na lembrança do neto está vivo e que aparece para relembrar as histórias que costumava contar.

O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, o Menino Azul, de Cecília Meireles, e o Menino Maluquinho, de Ziraldo, são alguns dos personagens que permeiam os devaneios do menino.

A história foi criada não somente para falar de conhecidos ícones da literatura infantil, mas também para colocar em pauta questões familiares e estimular nas crianças o hábito da leitura.
“É um grande convite para mostrar que a literatura não é fechada como um livro. O espetáculo mostra que sem leitura as coisas morrem, ainda mais hoje em dia, em que as crianças passam muito tempo ligadas aos meios eletrônicos. Mostra também que um bom livro pode despertar um excelente encontro entre a infância e magia da leitura”, explica o autor da peça.

O texto foi contemplado em 2003 pelo Prêmio Funarte de Dramaturgia, na categoria Infância e Juventude, ficando em terceiro lugar. Segundo o autor, escrevê-lo foi um desafio pessoal, já que ele costumava escrever textos densos e eróticos, voltados para o público adulto. “Eu achava que não conseguiria dialogar com o público infantil, até mesmo pelas características do meu texto, mais adulto. Eu quis me desafiar e fiz esse texto”, diz Carlos, enfatizando que tem uma relação muito especial com esta sua produção. “Estou com muitos textos e peças agora sendo encenados em outros Estados, mas este é especial, porque foi o primeiro texto que fiz para teatro e a premiação me incentivou muito a escrever outras peças”, completa.

O espetáculo montado só chegou aos palcos este ano. “Biblioteca Mabu” foi encenado pela primeira vez em junho passado. A insegurança quanto à realização do espetáculo e à transformação do texto do papel para os diálogos dos personagens foi um dos motivos que levou o dramaturgo a adiar a encenação da peça.

“A gente faz o texto e entrega para o diretor. Depois a gente se pergunta: será que vai funcionar? A criança é um tipo de público muito autêntico. Se gosta, gosta. Se não, levanta e vai embora. Faltava testar esse meu primeiro texto em cena”, diz o autor.

A peça está em sua segunda temporada neste mês de agosto e Carlos Correia Santos diz que agora observa as crianças durante o espetáculo. “Agora eu observo a plateia. As crianças interagem muito com o espetáculo. Quando já conhecem algum personagem, elas levantam e dizem que conhecem, e isso é muito bom, porque a minha meta é comunicar”, diz.

Como outra experiência voltada para o público infantil, Carlos apresenta também a peça “Uma flor para linda flora”, que fala sobre a preservação ambiental. Segundo o autor, este espetáculo é uma espécie de “Romeu e Julieta” ambiental, com o amor impossível entre o Túlio, o menino de entulho, feito de restos, e a Linda Flora, filha da mãe natureza.

“Quero mostrar que, para que o romance aconteça, Túlio terá que se reciclar. É um tema muito atual para as crianças, e é muito importante aproximar a sociedade desses temas por meio do teatro, que originalmente significa ‘o lugar de ver’. É o papel do artista propor reflexão. É como dizia minha avó: ‘é de menino que se torce o pepino”, diz Carlos. “Uma flor...” também foi premiado: foi o vencedor do Prêmio Cláudio Barradas de Fomento às Artes Cênicas, da Secult.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

CENAS DE UMA CONQUISTA
































Imagens da temporada de JÚLIO IRÁ VOAR, em Brasília. Apresentações realizadas de 14 a 16 de agosto de 2009. No Teatro da Caixa. As sessões foram resultado da vitória no edital nacional Caixa Cultural. Na capital federal, grande público, aplausos intensos e sinceros.

domingo, 9 de agosto de 2009

JÚLIO PARTE PARA VOAR PELOS CÉUS DE BRASÍLIA


O palco resgatará, em nível nacional, a história de um dos maiores gênios da ciência brasileira. A Caixa Econômica Federal apresenta no teatro da CAIXA Cultural Brasília, anexo do edifício-sede do banco, a peça “Julio Irá Voar”, encenada pelo grupo Palha, de Belém (PA), nos dias 14, 15 e 16 de agosto, com sessões sexta-feira e sábado às 20h e domingo às 19h, entrada franca.

Vencedor do Edital Caixa Cultural, o espetáculo conta a trajetória do poeta, pesquisador e jornalista Júlio Cezar Ribeiro de Souza, grande descobridor dos princípios da aerodinâmica, um dos maiores heróis da Navegação Aérea Mundial. Escrito pelo dramaturgo Carlos Correia Santos, o texto já tinha conquistado o primeiro lugar no Prêmio Funarte de Dramaturgia em 2004. A montagem do espetáculo é do Grupo Palha com direção e encenação de Paulo Santana. Em 2006, a peça teve sua primeira temporada apresentada em Belém com o patrocínio do Programa Amazônia Arte Mix. Incluído no Catálogo da Dramaturgia Brasileira – acervo coordenado pela conceituada autora Maria Helena Kuhner, iniciativa vencedora do Prêmio Shell –, a obra de Correia também esteve na lista de trabalhos habilitados a disputar o Prêmio de Dramaturgia Antônio José da Silva, realizado pela Funarte e Instituto Camões. A peça também marcou o lançamento, em Belém (PA), da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. A montagem foi a grande atração do evento para convidados.

Além de todos esses destaques, “Júlio Irá Voar” conta com um aval de peso. O de Luis Carlos Bassalo Crispino, um dos maiores pesquisadores sobre o inventor nortista. Crispino já deu entrevista a Jô Soares sobre suas analises a respeito da trajetória de Ribeiro e, numa carta aberta, aponta a peça como uma importante ferramenta de divulgação dos feitos do navegador. “O Crispino foi minha grande fonte de pesquisa. Foi graças à paixão dele por Júlio Cezar que consegui coletar os dados que eu precisava para compor a trama. Ele guarda um acervo precioso sobre esse incrível personagem”, conta Carlos Correia Santos.

Crispino referenda: “Intensa foi a sucessão de emoções que vivi quando assisti ao ensaio geral da peça Julio Irá Voar, de Carlos Correia Santos. Vi a história de Júlio Cezar Ribeiro de Souza representada de maneira absolutamente poética, criativa e comovente. Senti-me como parte do espetáculo, imerso na atmosfera criada durante a peça, vivendo cada emoção, cada sentimento. Uma sensação de ser transportado até mesmo para além da própria história de Júlio, fazendo refletir sobre o sentido da existência humana, de como e quando, ao longo da vida, em nossos pensamentos, temos nossos diálogos com sonhos, idéias, verdade, loucura e eternidade”.

SINOPSE

Obra vencedora do Prêmio Funarte de Dramaturgia 2004, a peça “Júlio Irá Voar” conta de forma lírica a impressionante história do pesquisador amazônico Júlio Cezar Ribeiro de Souza. Em cena, o vulto histórico se transforma num tocante personagem guiado por seres fantásticos no rumo do grande intento de sua vida: descobrir o segredo da dirigibilidade aérea. Ao longo de sua jornada, o inventor é acompanhado pelo Anjo do Sonho, pelo Anjo das Idéias, pelo Anjo da Verdade e pelo Anjo Loucura. Também conduz o enredo a intrigante figura de um personagem chamado Hermes. Conselheiro e incentivador que, no final de toda a jornada do aviador nortista, provará o quanto a Eternidade busca voar com os ousados. A montagem do Grupo Palha traz para cena uma bela e emocionante atmosfera de sonho e pesadelo.

O HERÓI

Nascido em 1843, na vila do Acará, Júlio Cezar Ribeiro de Souza é o autor da primeira tentativa de desenvolver um projeto de um dirigível no Brasil. Em 1875, iniciou seus estudos aeronáuticos, impressionado com o vôo planado das grandes aves aquáticas da Amazônia. O seu grande invento, a forma assimétrica dos balões, representou uma revolução na navegação aérea mundial da segunda metade do século XIX. Ousado e perseverante, o paraense seguiu para o Rio de Janeiro e, com o apoio do barão de Teffé e de Dom Pedro II, conseguiu verbas que o permitiram viajar para França com o intuito de construir seus projetos de vôo. Entre muitas idas e vindas, o inventor firmou patentes de todas as suas descobertas, mas acabou sendo usurpado. Seu sistema serviu de base para o plágio empreendido pelos capitães franceses Charles Renard e Arthur Krebs, que construíram o dirigível "La France", em 1884, e entraram indevidamente para a História Oficial como grandes gênios da navegação aérea. Apesar de empreender vários protestos públicos, Julio Cezar morreu desacreditado e na mais completa penúria em outubro de 1887.

O DRAMATURGO

O jornalista e escritor Carlos Correia Santos, 33 anos, se propôs mergulhar no legado de personagens histórico-culturais relevantes para a Amazônia e para o Brasil, dentro da linha de trabalho batizada como Dramaturgia Histórico-Investigativa. Pertencem a ela seus textos inspirados no pintor Ismael Nery (Nu Nery, sua primeira parceria com o Grupo Palha, em 2006, obra também vencedora do Caixa Cultural e igualmente apresentada em Brasília), no inventor Júlio Cezar Ribeiro de Souza (Júlio Irá Voar, também de 2006) e no poeta Antonio Tavernard (Duelo do Poeta com Sua Alma de Belo, estreada em 2008).

“São personagens que, graças a esse vício que temos de soterrar nossas fortunas artísticas, vinham sendo mais e mais esquecidos. Ver o público redescobrir, encantar-se e emocionar-se com esses artistas é, sem dúvida, o maior e melhor retorno que se pode ganhar. As peças têm feito a imprensa falar desses grandes vultos. Vários projetos pedagógicos nos Ensinos Médio e Superior têm surgido por conta dos espetáculos. No caso de Nu Nery, por exemplo, circulamos por diversas capitais brasileiras, como Brasília, São Luís, Recife e Natal, redespertando as pessoas para o legado de Ismael Nery. No final das contas, percebemos que o teatro tem mesmo um papel social e histórico”, afirma Correia.

Carlos Correia Santos estreou recentemente no romance, com a obra “Velas na Tapera”, que ganhou o Prêmio Dalcídio Jurandir na categoria nacional em concurso promovido pela Fundação Cultural Tancredo Neves. Inspirado na história da Fordlândia, uma unidade da empresa americana Companhia Henry Ford Motores e Cia. que foi instalada em plena selva amazônica no começo do século 20, Velas na Tapera tem prefácio do escritor José Louzeiro, autor de importantes romances como Pixote - A Infância dos Mortos e Lúcio Flávio: O Passageiro da Agonia (ambos adaptados para o cinema com grande sucesso). Sobre a obra teatral de Correia, Louzeiro escreveu: “Seu teatro prima pela criatividade e expressividade do texto. Sem nenhum exagero e muito menos bajulação, eu o considero um dos maiores talentos da nova dramaturgia brasileira.”

O GRUPO PALHA

Criada oficialmente na década de 1980, a companhia dirigida por Paulo Santana vem colecionando momentos marcantes no cenário teatral amazônico. Em sua primeira fase, o grupo tem em seu histórico as montagens Jurupari e a Guerra dos Sexos, Tatu da Terra Lenda ou Erosão, Ao Toque do Berrante, Iby Ey Mara – Terra Sem Males e O Mendigo Ou o Cachorro Morto. Após oito anos de pausa em suas atividades, a companhia retomou sua carreira em 2002 com a montagem de Eterno e Belo Há Apenas o Sonho, baseada na obra de Fernando Pessoa. A produção seguinte foi Van Gogh, inspirado no clássico de Antonin Artaud, Van Gogh – O Suicidado pela Sociedade. Logo depois, montaram a comédia besteirol Se Não Gostaram é Porque Não Entenderam ... A Revanche! A primeira montagem de “Nu Nery” teve sua estréia em maio de 2006. O Palha montou outros textos de Carlos Correia, como a fábula infantil Uma Flor para Linda Flora, apresentada em Tucuruí, e Júlio Irá Voar.