quarta-feira, 20 de abril de 2011

INDÍCIOS DE UM GRANDE SUCESSO - O ASSASSINATO DE MACHADO DE ASSIS






















Espetáculo ressuscita obra machadiana

REPERCUSSÃO
Peça “O Assassinato
de Machado de Assis”
provoca reflexões no
público paraense

Entre risos e tensões, a platéia conhece os suspeitos, segue as pistas e se torna parte de um enredo que propõe uma reflexão sinistra, mas importante: será que não estamos matando os nossos grandes mestres da literatura? Esse é o grande jogo de provocação proposto pelo enredo do espetáculo “O Assassinato de Machado de Assis”, que realiza neste fim de semana, no teatro Claudio Barradas, as três últimas apresentações de sua primeira temporada. Escrita por Carlos Correia Santos e montada pelo Coletivo Parla Palco, trazendo no elenco Gustavo Saraiva, Márcio Mourão e Tiago de Pinho, sob a direção de Luiz Fernando Vaz, a peça poderá ser vista na sexta e no sábado, às 21h, e no domingo às 20h. Os ingressos custam R$ 20,00 com meia para estudantes. O espetáculo conta com o patrocínio da Mega Mestre e Colégio Impacto, via Lei To Teixeira.

A produção reúne quatro personagens da literatura brasileira em torno de um crime surreal. Um detetive chamado Queiroz é contratado por ninguém menos que a famosa Capitu para investigar o suposto assassinato do mestre máximo das Letras Nacionais, Machado de Assis. Diferente do que sempre se soube, o fundador da Academia Brasileira de Letras, não teria morrido de causas naturais, em sua casa no Cosme Velho, na capital carioca. Por conta do ciúme de uma das personalidades que criou para as páginas, ele teria sido apunhalado pelas costas. Os principais suspeitos são Helena, titular da obra que melhor marca a fase romântica de Machado, Brás Cubas, personagem principal do livro que inaugura a fase realista do autor, e Simão Bacamarte, protagonista do célebre conto “O Alienista”. Mas Capitu, sempre dissimulada, pode estar mais envolvida no caso do que aparenta.

O público aceitou o convite para investigar a incomum trama, lotou o teatro no primeiro fim de semana da temporada e opinou sobre o espetáculo: “Achei uma oportunidade ótima para nos aproximarmos mais dos personagens machadianos, sem barreiras, sem amarras. Fui assistir com minha filha e ela gostou muito”, conta a servidora pública Sandra Gonçalves. Preparando-se para o vestibular, a filha, Manoela, revela que todo o mistério da peça, no final das contas, ajudou-a a desmistificar a obra do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas. “Eu sei que preciso ler os livros do Machado de Assis para o vestibular, mas ficava super receosa. A peça me convenceu a ler sem preconceitos”.

APROXIMAÇÕES

A cantora e atriz Cacau Novais também admite ter se sentido menos distanciada do universo do pai de “Dom Casmurro” e outros clássicos. “Ser colocado diante de criaturas como Capitu e Helena faz-nos retomar as leituras e vislumbrar a personificação de tais personagens, imaginar seus pensamentos e sentimentos de modo mais palpável. É muito interessante”, conta. A jornalista Márcia Lima concorda e vai além: “Adorei o alerta sobre o que andamos fazendo com a nossa cultura. É interessante como os momentos engraçados são usados para fazer com que riamos de nós mesmos. Gostei muito da construção dos personagens e da habilidade que a trama tem de brincar com figuras que já conhecemos da obra do Machado para mostrar que, mesmo após muitos anos, elas continuam vivas. Fui com meu sobrinho. Ele não tem uma leitura profunda das obras, mas foi capaz de reconhecer as citações”.


ELENCO


A tarefa não é nada fácil: três atores dando vida, no palco, a vários personagens. Alguns deles, personalidades femininas. Como se não bastasse o desafio da transposição de sexo, a missão é simplesmente fazer uma releitura de algumas figuras clássicas da literatura brasileira, como a enigmática Capitu. O compromisso maior, no entanto, é provocar riso e reflexão. “Além de Capitu, nós três encarnamos alternadamente Helena, Simão Bacamarte e Brás Cubas. É preciso ter muito fôlego, muita prontidão e muita concentração para fazer esse exercício de revezamento”, revela Gustavo Saraiva para quem o espetáculo está sendo a chance de mostrar uma faceta nova de sua ainda jovem carreira nos palcos. “Essa peça é um presente para mim. Uma chance de ouro de provar que posso dar conta de desafios cênicos grandes”.

Intérprete do atrapalhado detetive Queiroz, que tem a incumbência de investigar o suposto assassinado do mestre máximo das Letras Brasileiras, o ator e cantor Tiago de Pinho se diz feliz por ter aceitado o convite para estar no projeto: “Essa a segunda peça do Carlos que faço. Estive também no elenco de Ópera Profano. É muito bom participar de um empreendimento que, logo de início, desperta tanta curiosidade e elogios”

No trio, quem mais soma experiência nos tablados é Márcio Mourão. Cria de companhias como Usina de Atores da Unama e Grupo Palha, Márcio frisa que “O Assassinato de Machado de Assis” é, para ele próprio, uma aventura teatral bem diferente: “Já participei de produções grandes, como o Auto da Barca do Inferno e Vai Que é Bom, mas essa peça tem uma engenharia muito particular perto de tudo que já fiz. O bordado do texto criado pelo Carlos exige um rigor e uma dedicação bem específicos”. O contato com a obra machadiana é um capitulo também especial para Mourão. “Além de ator, sou professor de português. E é muito bom poder participar de um projeto que usa o teatro como ponte para a obra de um mestre da nossa língua”.

VISÃO CRÍTICA

Crítico literário e colunista do Portal ORM, o professor Helder Bentes acredita que um ponto forte do espetáculo é o cruzamento de referências: “Um dos grandes méritos desta obra é a intertextualidade, tanto nas obras machadianas entre si, quanto entre estas e a obra de Carlos Correia Santos. Uma intertextualidade que supera citações e paráfrases, para se aventurar nos desvãos da imaginação criadora dos dois escritores, tornando a leitura simultaneamente impetuosa e imperiosa, provocando originalidade na apreciação e, ao mesmo tempo, atendendo a princípios de diversidade face ao cânone machadiano”. A professora de português e blogueira Joana Vieira endossa: “O Assassinato de Machado de Assis me surpreendeu em tudo. A mensagem é muito bem dada e deixa a plateia com uma pulga atrás da orelha, um sentimento horrível de culpa e um desejo imenso de mudar a sua postura diante da leitura, o prazer de conhecer os livros e o dever de desvendar o mundo da literatura”

Quem ainda não assistiu à peça, pode descobrir pistas, indícios e mais provocações nas mídias sociais. A produção do projeto mantém no ar um blog (http://oassassinatodemachadodeassis.blogspot.com), vídeos no Youtube e um Twitter (@assassinmachado) nos quais os atores e personagens de Machado de Assis trocam farpas e dão caminhos reais ou falsos sobre o crime envolvendo o ícone das Letras Brasileiras. A montagem conta com os apoios de Aerólitos, Espaço Cultural Atores em Cena, Grupo Cikel, MPG, Ótica Mundial e Diego Formiga

SÃO PAULO

A dramaturgia de Carlos Correia está vivendo uma boa fase. Além de “O Assassinato de Machado de Assis” e de outras produções locais recentes, como “Ópera Profano” e “Eu Me Confesso Eneida”, o trabalho do dramaturgo aporta agora na capital paulista. Nesta última quinta-feira, dia 14, sua comédia dramática “Perfídia Quase Perfeita”, montada pela Cia Fé Cênica, ganhou ensaio aberto no auditório do jornal Folha de São Paulo. A participação no evento da Folha se integra ao processo de preparação para a estreia do espetáculo, que acontecerá no dia 06 de maio, no Espaço dos Satyros. A peça é dirigida por Claudio Marinho e tem no elenco os atores Geraldo Machado e Viviane Bernard.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

MACHADO DE ASSIS ASSASSINADO NO PALCO






Montagem do Coletivo Parla Palco transforma as criações do fundador da ABL em peças irônicas de um caso policial

O Coletivo Parla Palco convida o público de Belém a tentar desvendar um intrigante mistério, a partir desta sexta, dia 08, às 21h, no Teatro Cláudio Barradas, com a estréia do espetáculo “O Assassinato de Machado de Assis”, de Carlos Correia Santos, obra que traz no elenco Gustavo Saraiva, Márcio Mourão e Tiago de Pinho, sob a direção de Luiz Fernando Vaz. Participação especial do radialista Cleiton César. A montagem estará em cartaz também nos dias 09, 10, 15, 16 e 17. Às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos às 20h. A produção é de Leonardo Cardoso. O patrocínio da Mega Mestre e do Colégio Impacto, via Lei Tó Teixeira, com formatação de projeto assinada por Roberto Fisher. A montagem conta com o apoio de Aerólitos, Espaço Cultural Atores em Cena, Grupo Cikel, MPG, Ótica Mundial, Diego Formiga e Nelson Borges Make Up.

O caso que sobe ao palco é bastante espantoso. Ao receber a honraria de se tornar o primeiro imortal das Letras Brasileiras, Machado de Assis ganhou o direito de mergulhar em sua própria obra. Assim, passou a conviver com seus complexos e realísticos personagens. Não sabia o grande risco que estava correndo. Uma de suas criações, com ciúme do sucesso maior de outras, decidiu cravar um punhal em suas costas durante uma visita que o pobre autor fazia ao túmulo de Brás Cubas. Essa é a história que um detetive chamado Queiroz ouve quando decide investigar o que parece absurdo: o assassinato do mestre maior da Literatura Nacional. Sua contratante? Ninguém menos que a célebre Capitu. Ela afirma que teria sido a grande pivô de tamanha atrocidade. Os suspeitos? A inconformada Helena, que foi titular de um romance, mas nunca fez tanto sucesso quanto Capitu. O excêntrico Simão Bacamarte, do conto O Alienista. Não seria ele um grande louco? E por que não suspeitar também de Brás Cubas, sempre tão cáustico? Mas Capitu pode estar mentindo. Afinal, todos sabem que ela tem aquele olhar de cigana obliqua e dissimulada.

“O enredo parece tenebroso, abusado, tenso, mas é tudo mera pista falsa. Trata-se de uma comédia. Humor sinistro, sem dúvida, mas a idéia é fazer o publico rir nervosamente ao perceber como temos matado o melhor dos nossos grandes mestres”, revela Carlos Correia, que afirma estar satisfeito com a encenação criada para seu texto. “Noventa por cento da equipe desse projeto é de novos talentos da cena teatral local. Já tive a oportunidade de trabalhar com nomes consagrados do nosso teatro, mas também é meu interesse participar do fomento de novos talentos”.

Para o jovem diretor Luiz Fernando Vaz, a arma que mais o impulsionou no processo foi a superação: “Essa obra do Carlos é de uma crueldade fascinante. Ele toca em pontos muito delicados. E faz isso convidando o espectador a achar graça, mesmo que de forma incômoda. Como se não bastasse, o texto pede uma engenharia cênica ousada. É grande o esforço que os atores precisam fazer para cumprir a jornada da trama. É realmente um trabalho desafiador para todos nós”.

AS PISTAS

Como toda boa investigação pede o acesso a provas e indícios, a equipe do espetáculo apostou numa estratégia que tem rendido bons frutos. Há um mês, as mídias sociais estão sendo usadas como ferramentas para criar expectativa em torno do trabalho. Um blog está no ar (http://oassassinatodemachadodeassis.blogspot.com). Nele, os próprios personagens de Machado fazem as postagens. Sarcásticos, eles emitem opiniões sobre o crime e trocam farpas, acusações. Um Twitter também foi criado (@assassinmachado). O microblog é alimentado pelo assassino ou assassina que, valendo-se do anonimato da internet, faz chacotas e dá pistas (falsas ou verdadeiras) sobre o chocante delito. No Youtube, vídeos servem de teasers para o espetáculo. E o Facebook funciona como canal que congrega todas essas mídias.

“Estamos usando a tecnologia de hoje para manter viva a força de um mestre atemporal. E está funcionando belamente. Muita gente está dando os palpites mais engraçados e curiosos. Até um bolão já foi aberto para ver se alguém acerta quem é, afinal, responsável pelo assassinato de Machado de Assis”, diverte-se Correia.

O COLETIVO

“O Assassinato de Machado de Assis” é a terceira montagem do Parla Palco. Criado por Correia em 2008, o Coletivo é uma reunião informal de profissionais de teatro interessados em investigar e exercitar as possibilidades e a magia da palavra como ferramenta primeira do fazer teatral. Todas as montagens têm como premissa encenações estruturadas a partir de obras em que a poesia do texto é o foco principal. A primeira montagem foi o espetáculo “Duelo do Poeta com Sua Alma de Belo”, baseado na vida e obra do poeta paraense Antônio Tavernard. A produção venceu o Prêmio Cláudio Barradas de Fomento ao Teatro, em 2009.

O segundo trabalho do Coletivo foi o mini-espetáculo “Ismael em Três Traços”, obra que integra o projeto Figuras Entrelaçadas, criado por Carlos para pesquisar as possibilidades dramatúrgicas em torno das obras de Ismael Nery, Adalgisa Nery e Murilo Mendes. “Ismael em Três Traços” foi selecionado para integrar, em 2010, a programação do Festival Breves Cenas de Teatro, realizado em Manaus, no Teatro Amazonas. Com “O Assassinato de Machado de Assis”, o Parla Palco investiga a secular e histórica palavra do fundador da Academia Brasileira de Letras para levar ao palco uma comédia noir e provocativa.

O MESTRE E SUA OBRA

Joaquim Maria Machado de Assis é considerado o maior nome da literatura nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Nascido no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, em uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade. Em sua maturidade, reunido a amigos, entre os quais dois paraenses (José Veríssimo e Inglês de Sousa), fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras, tornando-se o primeiro imortal brasileiro.
Sua extensa obra constitui-se de nove romances e peças teatrais, duzentos contos (com destaque para O Alienista, protagonizado por Simão Bacamarte), cinco coletâneas de poemas e sonetos e mais de 600 crônicas. O romance “Helena” marca sua fase romântica, mas Machado é apontado como o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Personagem do igualmente célebre “Dom Casmurro”, Capitu é uma de suas mais provocativas concepções.
Serviço: “O Assassinato de Machado de Assis”. Dias 08, 09, 10, 15, 16 e 17. Teatro Cláudio Barradas. Sextas e sábados, às 21h. Domingo, às 20h. Ingressos: R$ 20,00 com meia para estudantes.

FICHA TÉCNICA
Coletivo Parla Palco apresenta
O ASSASSINATO DE MACHADO DE ASSIS
Uma obra de Carlos Correia Santos

Direção: Luiz Fernando Vaz

Com: Gustavo Saraiva, Márcio Mourão e Tiago de Pinho

Participação Especial: Cleiton César

Sonoplastia - Luiz Fernando Vaz
Operação de Sonoplastia - Marcelo Andrade
Iluminação - Sonia Lopes
Cenografia - Carlos Henrique
Cenotecnia - Kleber Farias
Figurino - Grazi Ribeiro
Confecção de Figurino - Carlos Henrique e Márcia Jardim
Perucas - Luiz Souza
Visagismo - Nelson Borges
Apoio - Karol Amaral e Maíra Monteiro
Fotografia - Diego Formiga
Design Gráfico - Antonio Junior
Produção de Captação - Roberto Fisher
Produção - Leonardo Cardoso
Produção Executiva - Gustavo Saraiva
Assessoria de Imprensa - Carlos Correia Santos

PATROCÍNIO:

Mega Mestre
Impacto
Via Lei Tó Teixeira

APOIO CULTURAL:

Aerolitos
Espaço Cultural Atores em Cena
Grupo Cikel
MPG
Ótica Mundial
Nelson Borges Make Up

AGRADECIMENTOS

Aga Khalil
Antonio Junior
Baluarte
Beth Braga
Diego Formiga
Gemaque
Genylson Souza
Helio Sales
Karol Amaral
Kleber Farias
Luiz Artur Saraiva
Maíra Monteiro
Manoel Pereira Dias
Mário Guimarães
Merian Cordovil
Paulo Santana
Ricardo Tomaz
Rita Farias
Roberto Fisher


PARA CONFERIR O BLOG DA PEÇA, ACESSE

http://oassassinatodemachadodeassis.blogspot.com

PARA ACOMPANHAR O ASSASSINO, SIGA

@assassinmachado

VEJA OS VÍDEOS NO YOUTUBE

Teaser 01: http://www.youtube.com/watch?v=0t8TnOhqy6A

Teaser 02: http://www.youtube.com/watch?v=MRxwxM2t2m4

Teaser 03: http://www.youtube.com/watch?v=VT7hTpY9Bb0

sábado, 12 de março de 2011

EVENTO ESPECIAL COM O EXTREMO NORTE

Programação festeja os 25 anos de trajetória de Carlos Correia Santos que, hoje, reúne prêmios em nível regional, nacional e internacional

O Instituto Cultural Extremo Norte realiza, nesta quarta, dia 16, a partir das 20h, no Espaço Cultural Bar São José Liberto, o encontro literário No Princípio Era o Verbo. O convidado especial é o escritor Carlos Correia Santos, que, em 2011, comemora 25 anos de carreira literária. A programação tem entrada franca. Responsável por várias ações de fomento à arte poética, o Extremo Norte tem defendido, nos últimos anos, o ideal de promover integração entre escritores e público leitor através de saraus, rodadas de bate papo e seminários.

A entidade foi criada em 2009 e é fruto do Movimento Literário Extremo Norte que congrega diversos autores paraenses e desenvolve atividades diversas no cenário cultural de Belém desde fevereiro de 2004. A diretoria conta hoje com os poetas Rui do Carmo, na presidência, e Rita Melém, na vice-presidência. Um dos colaboradores do Instituto, o também poeta e letrista Renato Gusmão explica: “Queremos mostrar a qualidade da nossa literatura. Realizamos esse e outros projetos, como o Palavra do Escritor e o Canoa de Sonhos”. A trajetória de Correia servirá como ferramenta para mais uma dessas iniciativas.

Um concurso de colégio foi o marco inicial de uma história que hoje contabiliza vários prêmios regionais, nacionais e internacionais. “Foi em 1986. Eu tinha onze anos. Resolvi participar de uma iniciativa criada pelos meus professores de redação e literatura. Quem escrevesse o melhor poema ganharia um prêmio singelo: o trabalho seria afixado na biblioteca da escola. Acabei vencendo. Considero esse, portanto, meu primeiro prêmio como escritor. O poema foi colocado no quadro da biblioteca. A maioria dos colegas não sabia que eu era o menino que tinha criado aqueles versos. Então, eu me sentava perto do poema e fica observando as pessoas reagirem ao que tinha posto naquele papel. Percebi que eu podia me comunicar com as pessoas através das letras. Nunca mais parei”, conta Carlos, hoje poeta, contista, dramaturgo e romancista.

Situações peculiares não faltaram ao longo do caminho. Aos 16 anos, em busca de alternativas incomuns para começar a se sustentar, tornou-se trovador de aluguel. “Hoje, isso parece muito engraçado. Inventei um serviço de poesias personalizadas. As pessoas me procuravam, contavam suas histórias, amores, perdas, tentativas de conquistas, homenagens para datas especiais e eu transformava isso em poemas particularizados que eram embalados em saquinhos de crochê feitos pela minha mãe. Eu acabava funcionando como um psicólogo poético. Deu tão certo que virei notícia não só aqui em Belém, mas na mídia nacional. A revista Raça Brasil, por exemplo, fez uma matéria comigo”, relembra.

Mas a aposta na lírica exclusivamente artística logo tomou seu devido lugar e Correia passou a conquistar láureas respeitáveis. Venceu o Prêmio Dalcídio Jurandir 2008, na categoria romance, com a obra "Velas na Tapera", concurso de vulto nacional criado para celebrar o centenário do romancista Dalcídio Jurandir. É autor do premiado livro de poemas “O Baile dos Versos”, obra que ganhou especial saudação da Academia Brasileira de Letras, em 1999. Também são de sua autoria as obras “Poeticário” (poemas), “No Último Desejo a Carne é Fria” (coletânea de contos), “Nu Nery” (teatro), Ópera Profano (teatro / Prêmio Cidade de Manaus) e “Batista” (teatro).

DRAMATURGIA

Como escritor na área de artes cênicas, coleciona importantes láureas como a tripla classificação no Edital Estadual de Fomento às Artes Cênicas 2008, da Secretaria de Cultura do Estado do Pará (Prêmio Cláudio Barradas) com os espetáculos “Adoro Theodoro”, “Duelo do Poeta com Sua Alma de Belo” e “Uma Flor Para Linda Flora”, o Prêmio IAP de Edições Culturais Categoria Dramaturgia (2008), o Prêmio IAP de Literatura Categoria Teatro (2004), o Prêmio Funarte de Dramaturgia por três anos consecutivos (2003, 2004 e 2005), o Prêmio Funarte Petrobras de Fomento ao Teatro (2005), o Prêmio Funarte Petrobras de Circulação Nacional (2006) e o Edital Seleção Brasil em Cena do Centro Cultural Banco do Brasil.

Incluídos no Catálogo da Dramaturgia Brasileira da renomada autora Maria Helena Kühner (iniciativa detentora do Prêmio Shell), seus textos teatrais já ganharam diversas montagens e já foram apresentados em Belém, São Luís, Natal, Recife, Camaçari, Piracicaba, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Suas peças já foram traduzidas para o francês e espanhol. Importantes artistas brasileiros, como Stella Miranda (que interpretou a síndica do humorístico "Toma La, Dá Cá", de Miguel Falabella, exibido na TV Globo), já assinaram direção de suas obras.

Em 2009, foi o autor vencedor da categoria dramaturgia, com o texto “Não Conte com o Numero Um No Reino de Numesmópolis”, do III Concurso Literatura para Todos, promovido pelo Ministério da Educação entre autores do Brasil e da África. É o dramaturgista do projeto Solo de Marajó, que marcou o retorno aos palcos do ator e diretor Cláudio Barros. A montagem do monólogo, inspirado na obra do romancista paraense Dalcídio Jurandir, contou com a direção de Alberto Silva Neto.

No cinema, foi agraciado com o Prêmio do Edital Curta Criança do Ministério da Cultura. Também violinista e letrista, Correia é parceiro de importantes nomes da música nortista, como Nilson Chaves e Lucinha Bastos. Gestor e Produtor de Eventos Culturais, formado pela Universidade da Amazônia, já coordenou diversos e bem sucedidos projetos de fomento à leitura na região Norte, como o “Café com Verso e Prosa” e o “Estrada de Letras”. Já foi colaborador, com seus contos, do jornal O Estado do Acre e dos sites BV News (Roraima), Amapá Digital (Amapá), Manaus On Line (Manaus), Madeira On Line (Rondônia) e Timor On Line (Timor Leste).

Serviço: Projeto No Princípio Era o Verbo, do Instituto Cultural Extremo Norte. Convidado especial: Carlos Correia Santos. Nesta quarta, dia 16, às 20h, no Espaço Cultural Bar São José Liberto: Praça Amazonas com Cesário Alvim (antigo Carpe Diem). Entrada franca.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

UM DIA DESSES, AINDA VOU MORRER DE DOR


Carlos Correia Santos

Um dia desses, ainda vou morrer de dor.

Não essa que me almoça jantares e dejejuns. Essa chamada úlcera. Sim, porque aos 35 anos, sou o petisco de uma úlcera duodenal. Estou em seu cardápio desde os meus 28 anos.

O doer é bem outro...

Um dia desses, ainda vou morrer de dor no pescoço. Porque sou negro e vivo num país que me impõe andar de queixo erguido dia e noite – quiçá, até dormir de queixo erguido. Há que ser assim. Do contrário, sou devorado por essa úlcera desgraçada chamada racismo.

E, cacete, condenado a esse torcicolo eterno, ainda há os pseudo-ortopedistas da vida alheia – tortos até a alma – que me diagnosticam arrogante. Imbecis... Procurem vós um oftalmologista e enxerguem-se

Um dia desses, ainda vou morrer de dor. No diafragma. Toda vez que a respiração faz espiral porque a senhora ao lado da qual passei agarrou-se firmemente à alça de sua bolsa preciosa. Quem tomou o susto fui eu, dona fulana.

Um dia desses, vou morrer de dor. Nos dentes. Que trinco com agonia genuína quando me perguntam, nos supermercados e lojas em que passo para fazer minhas compras: “és empregado daqui, filhinho?”. Não, filhinhos. Não sou. O problema não está no fato de ser empregado de um supermercado ou de uma loja. Claro que não. Está no fato de ser a escolha da pergunta. Dezenas em redor e o alvo único? Moi. Mesmo que não esteja eu usando uniforme algum. Ah, sim. Há, sim, um uniforme: a minha epiderme que, historicamente, não desperta no demente entendimento geral a possibilidade de eu ser qualquer outro profissional. Não dorme na minha derme a evidência de que sou Bacharel em Direito e Gestor e Produtor de Eventos Culturais, formado em faculdades particulares. E não: eu não precisei de cota alguma para alcançar tais graduações. Nem para me trazer a gradação de poeta, contista, dramaturgo premiado. Que sou.

Um dia desses, ainda vou morrer de dor. Na mão. Que fecho até quase esmagar. Não, Carlos. A promoção não vai ser tua. Fica de costas, mano. Porque não tens o perfil...

Um dia desses, ainda vou morrer de dor. Porque cansa. Extenua precisar matar todo dia. Leões. Imensos. Vírus de pré-concepções. Milhares. Nada nos mata mais e mais, lentamente, que precisar ser um assassino das próprias dores para precisar sobreviver.

Um dia desses, ainda vou morrer de dor. Porque é assim que renasço. Lindo. Negro. Alma.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

JOANA FAZ CONFISSÕES PARA ENEIDA




Reproduzo, abaixo, o post feito por Joana Vieira em seu blog


Minha querida, receba o imenso obrigado de toda a equipe de EU ME CONFESSO ENEIDA.

O texto:

E hoje, eu visitei o teatro Waldemar Henrique, na Praça da República, para assistir à peça cuja dramaturgia é da conta do amigo Carlos Correia Santos. Estranho ir à Praça na sexta-feira, à noite, quando o apego é pelo domingo, quando acontece a feirinha do artesanato. O teatro fica no centro da Praça e lá dentro batia um coração mais paraense do que o meu: o de ENEIDA DE MORAES! E para interpretá-la outros três corações que dividiam o palco e o coração da gente: um aos gritos me mostra uma mulher ousada, sombria e cheia de ideologias; outro, uma poetisa carnavalesca, colorida e alegre.e o último me dizia do seu lado que eu mais gosto, a escrita, as ideias, as palavras. Era ENEIDA, a mais nobre moradora do Rio de Janeiro de coração paraense e linguajar igual ao nosso. Ela estava ali, forte, firme e tensa.

Suas facetas mexeram comigo e com o público calado e quieto aconchegado nos bancos e lembranças de uma Belém só nossa. Na pele das três atrizes, nosso coração sentiu saudade de um tempo descrito pela escritora e que hoje já não existe mais. Tudo lindo e saudosista, das frases decoradas e interpretadas pelas mulheres no palco à voz da própria poetisa que surgia nos invadindo e causando lágrimas.

Os diretores pegaram pesado, dos sons de passarinhos ao batuque de tambores que nos transportavam para uma Belém antiga, meio floresta, meio mística, meio ENEIDA!

O dramaturgo pegou pesado, da luz ao trio se engalfinhando numa luta entre personalidades internas que dividiam uma mulher e geravam os seus conflitos introspectivos. MUITO BOM! MUITO LINDO! Enriquecedor, informativo e reflexivo. ADOREI, AMORES! PARABÉNS!

“Eu morro, mas morro com raiva”

No papel da protagonista: Marta Ferreira, Elisângela Vasconcelos e Rosa Marina, que encarnam, respectivamente, o lado político, intelectual e carnavalesco de Eneida.

Os diretores Edson Chagas e Leandro Haick.

“EU ME CONFESSO ENEIDA” foi vencedora do edital Cláudio Barradas de Fomento ao Teatro, promovido pelo Governo do Estado do Pará via Secretaria de Cultura.

Manteremos as rugas: elas contam nosso destino.

UM POUCO MAIS SOBRE ENEIDA...
Eneida de Moraes nasceu em Belém do Pará no dia 23 de outubro de 1904. Jornalista, escritora, foi uma das mais profundas conhecedoras do carnaval brasileiro. Formada em odontologia, logo trocou seu consultório para se tornar colaboradora em jornais e revistas, o que possibilitou sua estreia como autora. Entrou na militância política e foi presa em 1935 por defender principalmente a inclusão social. A autora faleceu em abril de 1971, na cidade do Rio de Janeiro.

Na peça, segundo Carlos Correia, o episódio mais marcante aconteceu na década de 30, quando filiou-se ao Partido Comunista e se posicionou abertamente contra a ditadura de Getúlio Vargas. Por esta razão, foi presa várias vezes e brutalmente torturada no cárcere.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

AS FACES DE ENEIDA CHEGAM AO PALCO


Vencedor do Edital Cláudio Barradas, “Eu Me Confesso Eneida” tem dramaturgia de Carlos Correia e direção de Edson Chagas e Leandro Haick.

Ela foi poeta, ativista política, pesquisadora do carnaval brasileiro e definiu o que hoje se convenciona chamar de crônica memorialística. Eneida de Moraes. Um dos nomes paraenses mais festejados em nível nacional. As múltiplas inquietações que transformaram essa mulher única em muitas chegam à ribalta no espetáculo “Eu Me Confesso Eneida”, que ficará em cartaz de 24 a 27 deste mês, no Teatro Waldemar Henrique, sempre às 20h. Vencedora do edital Cláudio Barradas de Fomento ao Teatro, promovido pelo Governo do Estado do Pará, através da Secult, a montagem tem dramaturgia assinada por Carlos Correia Santos e direção de Edson Chagas e Leandro Haick. Em cena, as atrizes Marta Ferreira, Elisângela Vasconcelos e Rosa Marina vivem, simultaneamente, as várias faces e facetas de Eneida. Um embate angustiante e provocativo que vai revelando para a platéia detalhes da densa biografia da famosa nortista.

A peça é uma realização do grupo EcoArte e conta com apoio do Gepem e Teatro Waldemar Henrique. O figurino, cenografia, iluminação e maquiagem foram concebidos por Chagas Franco. A pesquisa de sonoplastia foi desenvolvida por Nelson Borges, Edson Chagas e Leandro Haick. A operação de sonoplastia é de Marcos Blanco. A operação de luz de Venildo Cohen. E as fotos de divulgação têm o selo de Naldo Silva e Pedro Ferreira.

BIOGRAFIA

Contista, cronista, memorialista, Eneida Vilas Boas Costa de Moraes nasceu num palacete situado à rua Benjamim Constant e ali se criou. Filha de Guilherme Costa e Júlia Vilas Boas Costa. Família de posses. O pai era comandante de navio e, assim, desbravava os rios do Estado. Rios que, de um jeito ou de outro, acabariam tomando conta das veias de Eneida, correndo por elas mais do que seu próprio sangue. O amor de Eneida pelo Pará foi tanto que mais verdes do que essas terras só mesmo os olhos da autora, eternos apaixonados por Belém. E justamente este verde estaria no título do primeiro livro. Em 1930, ela publica “Terra Verde”, um livro de poemas com temática amazônica.

Ainda muito jovem, foi morar no Rio de Janeiro, na época, a capital federal. Filiou-se ao Partido Comunista e se posicionou abertamente contra a ditadura Vargas. Por esta razão, foi presa várias vezes. No cárcere, dividiu cela com Graciliano Ramos e Olga Benário. Apaixonada pela cultura do povo, dedicou-se a um profundo estudo sobre o folclore brasileiro. Foliona de grande marca, criou na capital carioca o célebre Baile do Pierrô. Eneida despediu-se das árvores de suas verdes terras num mês de abril. Morreu em 27 de abril de 1971. Atendendo a um pedido seu, como boa comunista, foi sepultada no lado esquerdo do Cemitério de Santa Isabel.

Serviço: “Eu Me Confesso Eneida”, de Carlos Correia Santos. Direção Edson Chagas e Leandro Haick. Realização EcoArte. Patrocínio Secult. De 24 a 27 de fevereiro. Teatro Waldemar Henrique, 20h. Ingressos: R$10,0.