quinta-feira, 31 de maio de 2012

PEÇA SOBRE MARGARIDA SCHIVASAPPA VOLTA COM RENOVADA ESTRUTURA MUSICAL E EVENTOS PARALELOS GRATUITOS


Palestra, workshop, novidades sonoras e mais uma cantora no elenco são as atrações da segunda temporada de “Acorde Margarida”

A memória de uma das mais importantes damas da arte amazônica reencontrará o público.  E com a alma renovada.  O musical “Acorde Margarida” fará sua segunda temporada no Teatro Cláudio Barradas, de 07 a 10 de junho, sempre às 20h, trazendo surpresas, uma nova dimensão técnica na trilha sonora e uma especial programação paralela. Os ingressos das sessões custam R$ 20,00, com meia para estudante, mas os demais eventos terão entrada gratuita.

Escrita por Carlos Correia Santos, com direção geral de Hudson Andrade, numa realização da Companhia Teatral Nós Outros, a peça traz para os holofotes a memória de Margarida Schivasappa, célebre professora de canto e artes cênicas que revolucionou a cultura amazônica. Após uma bem sucedida serie de apresentações no inicio do semestre, a produção retorna aos palcos com o compromisso de partilhar mais informações sobre a homenageada pela dramaturgia e sobre os processos de construção de um musical.

No dia 09 (sábado), às 17h, o público poderá participar gratuitamente de uma palestra sobre Schivasappa, ministrada pelo pesquisador Antônio Pantoja, grande referência na coleta de dados sobre a biografia da artista considerada pioneira do canto orfeônico e do fomento à formação teatral no Pará. Pantoja é autor do livro “Margarida Schivasappa: a Primeira Dama do Teatro Paraense”, que está sendo editado pela Fundação Tancredo Neves e inspirou a construção da trama de Correia.

No dia 10, também às 17h, o musicista Júnior Cabrali fará o workshop “Direção Musical para Espetáculos Teatrais”. Responsável pelas trilhas da Nós Outros há mais de dez anos, o artista partilhará seus conhecimentos sobre os processos de criação e experimentação sonora especificamente voltados à cena.

Para conferir as atividades gratuitas da programação paralela da peça não serão necessárias inscrições prévias. Os interessados precisam apenas estar no Cláudio Barradas quinze minutos antes do início dos eventos. Para a palestra será respeitado o limite de capacidade da sala de apresentações do Barradas. Para o workshop, no entanto, serão recebidos até 30 participantes por ordem de chegada.

MONTAGEM RENOVADA

Cabrali entrou na equipe de “Acorde Margarida” com a tarefa de ampliar as possibilidades da trilha sonora. Mas o músico não é a única novidade na trupe que fará esta segunda temporada. O espetáculo aumentou seu naipe de cantoras com a entrada de Cacau Novais na trama. A artista, que tem apostado vivamente em experiências teatrais, tanto que acabou de cumprir temporada no espetáculo “Batista”, traz agora sua força vocal para o enredo que reaviva os passos de Schivasappa. “O teatro tem me seduzido mais e mais”, afirma a intérprete. Autor e produtor da peça, Carlos Correia comemora a chega de Cacau: “Esse espetáculo é uma aposta no gênero musical por excelência. A qualidade dos recursos vocais é uma preocupação que estamos perseguindo. Até porque se trata de uma exigência deste segmento”.

Além de Cacau, a montagem tem no elenco Maíra Monteiro, Fernanda Barreto e Tiago de Pinho. A luz é assinada por Sônia Lopes. A cenografia e figurinos originais são de Néder Charone. Coreografias originais de Waldete Brito. Melodias originais de Reginaldo Viana e Zé Neto. Os arranjos, adaptações e execuções musicais são conduzidos por Júnior Cabrali e Alberson Alves. Fotos e vídeos de Brends Nunes. A assessoria e a produção de conteúdo são feitas por Parla Página. O empreendimento tem incentivo da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves. Os apoios culturais são de Giostri Editora, Incra, Gráfica D´Avila, Espaço Experimental de Dança, EKO Estratégias em Comunicação, Revista Pará Mais, Unipop e Zarabatana Produções Musicais.

SINOPSE E INTERNET

A metáfora é a grande senha usada pelo enredo de “Acorde Margarida” para abrir as portas do universo em torno da grande dama do canto e do teatro nortista. No concorrido e abarrotado DMP (Departamento da Memória Pública), chega um pedido urgente e aflito. Um ofício anônimo implora: por favor, resgatem o legado de Margarida Schivasappa. O atrapalhado despachante que recebe a solicitação fica angustiado. Mas quem, afinal, é essa senhora? Só lhe resta pedir a ajuda de sua superiora, a apática e estranha Madame Memê. O problema é que nem ela sabe quem é a tal Margarida. Tudo fica muito mais complicado quando duas senhoras surgem no DMP afirmando que são Margarida Schivasappa.

Mas qual das duas fala a verdade? E por que toda essa confusão está acontecendo? Uma grande e provocativa metáfora sobre o esquecimento que aprisiona o legado de artistas fundamentais para a História Cultural do Brasil: esse é o diapasão que afina o musical Acorde Margarida. Aluna de Villa Lobos, destacada por Getúlio Vargas e saudada por Bibi Ferreira, Margarida Schivasappa atuou decisivamente para o crescimento da arte cênica na região Norte. Foi uma das fundadoras do Teatro do Estudante, disseminou a técnica do Canto Orfeônico e ajudou na chegada da Fundação Pestalozzi ao Pará


Grande homenagem à memória de uma época fundamental para os rumos da cultura brasileira, o projeto do musical “Acorde Margarida” mantêm um Blog com textos sobre Villa Lobos, canto orfeônico e demais temas ligados ao universo de Schivasappa. A produção usa também o Facebook, o Twitter e o Youtube como estratégias de difusão e divulgação “A ideia é mostrar que as mídias sociais, mecanismos tão contemporâneos, podem também funcionar como disseminadores de informações sobre outros períodos histórico-culturais relevantes, como aquele em que viveram Margarida e seu famoso professor. No ano em que o maestro completaria 125 anos, estamos fazendo com que as novas gerações ligadas na internet conheçam melhor seu legado”, explica o diretor Hudson Andrade.

Serviço: Segunda temporada do musical “Acorde Margarida”, de 07 a 10 de junho, sempre às 20h. Ingressos: R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 a meia. Programação paralela gratuita nos dias 09 e 10, sempre às 17h. Tudo no teatro Cláudio Barradas. Informações: 8822-4453. Blog da peça: http://acorde-margarida.blogspot.com

terça-feira, 22 de maio de 2012

ESPETÁCULO BATISTA ATRAI NÚMERO GRANDE DE ESPECTADORES AO SESC BOULEVARD


O interesse pela peça BATISTA tem sido tão grande que, na última sexta, foi necessário realizar duas sessões.

A estudante Claudia Fernandes confessa que se assustou quando chegou ao Sesc Boulevard, na última sexta-feira, dia 18, e se deparou com a aglomeração de pessoas a espera do inicio da sessão do espetáculo BATISTA, da Companhia Teatral Nós Outros. A fila se estendia da porta da sala de apresentações e tomava dois rumos: subia a escada em espiral que levava aos outros andares do espaço e descia a escada que dava acesso à entrada do centro cultural. “Admito: não imaginava que um espetáculo teatral local pudesse atrair essa quantidade de público. Talvez por preconceito meu, não sei. Mas foi uma surpresa boa. Decidi ficar e esperar pela apresentação”.

Claudia foi uma das espectadoras que foram conferir a peça de Carlos Correia Santos que conta traços da biografia do Cônego Batista Campos, apontado como um dos principais mentores da Cabanagem. O espetáculo que traz Hudson Andrade e Cacau Novais em cena tem atraído atenção de movimentadas plateias desde sua estreia, no dia 10. Nesta última sexta, o volume de público foi tão grande que se fez necessário realizar duas sessões. A duas últimas apresentações desta primeira temporada da peça acontecem nesta quinta e sexta, dias 24 e 25, sempre às 20h30, no Sesc Boulevard, que fica bem em frente à Estação das Docas.

O técnico em informática Marcos Fragoso esteve no Sesc Boulevard na quinta, dia 17, e também ficou impressionado com o fluxo de pessoas interessadas em mergulhar no universo proposto pela montagem. “Acho fantástico ver o quanto estamos nos interessando mais por nossa História. Isso é fundamental. Projetos como esse merecem nossa atenção e respeito porque trazem para perto de nós o melhor da nossa memória cultural. A Cabanagem precisa ser constantemente lembrada e reverenciada”.

Educadores estão organizando grupos para prestigiar a peça e realizar trabalhos interdisciplinares posteriormente. Alunos das escolas Ulisses Guimarães, Princesa Izabel e Cândido Horácio Evelin marcaram presença nas plateias. A professora universitária Dani Lourinho celebra o sucesso do espetáculo e conta uma curiosidade: “Eu estava lá, pedindo mais. Durante a espera antes da peça, escutei alguém passando e, vendo a longa fila, dizendo: nossa, como o teatro paraense anda popular”.

A jornalista Luciane Fiuza igualmente exalta o empreendimento da Nós Outros: “Sucesso é isso: casa lotada e sessão extra. Para quem perdeu, dias 24 e 25 tem mais. Parabéns Carlos Correia Santos e seu texto sempre impecavel, Hudson Andrade lindíssimo em cena, Cacau Novais, um encanto,  e toda a equipe deste maravilhoso espetáculo, que resgata a nossa história e a luta de nossos guerreiros e imortais cabanos”.

INTERCAMBIO E AVAL

Acompanhando a repercussão da peça pelas mídias sociais, o dramaturgo argentino Santiago Serrano (autor de célebres obras cênicas, como “Dinossauros”, montada no Brasil, com grande sucesso, por Carmem Moretzsohn e Murilo Grossi) postou no Facebook o elogio: “A qualidade faz com que o público assista”.

O escritor Raimundo Sodré foi assistir BATISTA na sexta, dia 18, e igualmente publicou no Facebook suas impressões: “Todo o enredo é permeado pela dramaticidade musical que faz do palco um anunciado calvário. O espetáculo é minado de poderosos efeitos sonoros e visuais, o que alteia seu valor estético. A cena final é, sobremaneira, exuberante. Iconográfica. Remissiva. Mundana e espiritualizada, donde deduzimos que, para sentir, temos que estar lá. Mas tem que se aviar. Não deu pra quem quis. Portanto, cuide pra chegar cedo, nas próximas apresentações”.

O ator paraense Jorge Anderson também esteve nas sessões de BATISTA e manifestou seu entusiasmo a respeito do empreendimento levado ao palco: “É uma oportunidade única de conhecer um pouco mais da rica e lutadora história desse imenso Pará. Agradeço pela imensa troca e pelo cunho histórico de nossa história esquecida e pouco lembrada por nós. E por acreditarem no Teatro Paraense e em seu público. Grande Trabalho. Um mergulho profundo em nossas raízes”.

O autor e protagonista reverenciam o carinho do público e agardecem o momento especial vivido: “Repercussões como essas fazem valer todo o esforço que é realizar ações culturais em nossa região. O bem querer do público justifica cada empenho nosso. Não contamos com nenhum patrocínio oficial. Só contamos com esse carinho findamental das plateias e com apoios aos quais agradecemos intensamente”, pontua Carlos Correia Santos. E Hudson Andarde arremata: “Gratidão é a palavra a esse grupo maravilhoso com quem eu tenho a honra de trabalhar. Muito obrigado ainda ao Vilhena e ao SESC Boulevard que estão dando a esta cidade uma lição de respeito ao artista e a arte. Uma casa na qual eu desejo estar muitas e muitas vezes, como artífice e como público”.


BATISTA tem consultoria de direção assinada por Adriana Cruz, concepção de luz feita por Sonia Lopes, trilha sonora original criada por Júnior Cabrali e fotos de divulgação de Brends Nunes e Frederico Mendonça. A preparação corporal dos atores foi feita por Claudio Temporal. Os apoios culturais são do Sesc Boulevard, Revista Pará Mais, Unipop e Gráfica Dmazon.


Serviço: Duas últimas apresentações da primeira temporada de “Batista”. Nesta quinta e sexta, dias 24 e 25, às 20h30, no Sesc Boulevard. Entrada franca.







domingo, 13 de maio de 2012

PÚBLICO LOTA AS DUAS PRIMEIRAS SESSÕES DE BATISTA



As duas primeiras sessões do espetáculo BATISTA movimentaram grande quantidade de público, nesta quinta e sexta (dias 10 e 11 de maio), no Sesc Boulevard, em Belém. Filas grandes se formaram para assistir a peça que apresenta traços da biografia do cônego Batista Campos, apontado como um dos mentores da Cabanagem. A montagem segue em cartaz, com entrada franca, nas próximas semanas. As novas sessões acontecem nos dias 17, 18, 24 e 25, sempre às 20h30.





Serviço: “Batista” é uma obra de Carlos Correia Santos. Texto vencedor do Prêmio IAP de Edições Culturais. Publicado pela Giostri Editora (SP). Essa montagem é uma realização da Companhia Teatral Nós Outros em homenagem aos 230 anos de Batista Campos. Espetáculo protagonizado e dirigido por Hudson Andrade. Participação especial: Cacau Novais. Consultoria de direção: Adriana Cruz. Concepção de luz: Sonia Lopes. Trilha sonora original: Júnior Cabrali. Demais fotos promocionais: Frederico Mendonça e Iara Correia Santos. Primeira temporada: dias 10, 11, 17, 18, 24 e 25 de maio, sempre às 20h30, no Sesc Boulevard. Entrada franca. Apoio cultural: Sesc Boulevard, Unipop, Revista Pará Mais e Gráfica Dmazon. Agradecimento especial a Cláudio Temporal pela preparação corporal. Informações: 8167-3835 / 8822-4453 / 8199-1322



ESPETÁCULO SOBRE BATISTA CAMPOS ESTREIA EM BELÉM


Projeto está intimamente atrelado ao compromisso de provar que teatro, História e preservação podem caminhar juntos

Após uma jornada de aproximadamente nove meses de preparações, reestruturações, apostas e ações de resgate memorialístico, teve sua estreia no Sesc Boulevard, na quinta, dia 10, às 20h30, com entrada franca, o espetáculo teatral “Batista”, de Carlos Correia Santos. Em cena, um dos grandes personagens da História Amazônica: o famoso Cônego Batista Campos. A peça celebra os 230 anos do sacerdote. O ator Hudson Andrade dá vida ao religioso e jornalista apontado com um dos grandes mentores da Cabanagem. Andrade também dirige o espetáculo, que tem consultoria de direção de Adriana Cruz e participação especial da cantora e atriz Cacau Novais.

“Batista” tem concepção de luz assinada por Sonia Lopes. Trilha sonora original criada por Júnior Cabrali. Fotos de divulgação de Brends Nunes e Frederico Mendonça. A execução de figurinos de Mariléia Aguiar e a preparação corporal de Cláudio Temporal. Os apoios culturais são de Sesc Boulevard, Unipop, Pará Mais e Gráfica Dmazon. Além desta quinta, as apresentações acontecerão nos dias 11, 17, 18, 24 e 25 de maio, sempre no mesmo horário e sempre com entrada franca.

Realização da Companhia Teatral Nós Outros, a montagem chega à ribalta atrelada a uma campanha que vem despertando grande atenção da mídia e dos internautas. Os artistas ligados ao trabalho criaram o projeto “Ruínas da Memória” para exigir do poder público iniciativas de revitalização, manutenção e maior divulgação das Ruínas do Murutucu, sítio arqueológico intimamente ligado ao movimento cabano. Os espectadores que forem às sessões serão convidados a assinar uma petição pública que dará suporte a esse pleito.

DENÚNCIA

A proposta de unir a peça à campanha surgiu depois que a trupe decidiu fazer as fotos de divulgação no Murutucu. Os artistas encontram o lugar tomado por mato alto, lama e dejetos. “Para nós do projeto, estamos hoje lidando com um empreendimento que já não é somente um espetáculo teatral. É um ato cívico. A peça é um disparador para discutirmos algo bem mais amplo: nosso patrimônio memorialístico, nossos bens históricos, nossa herança. A partir de traços da história do Batista, falamos sobre o movimento cabano, instigamos o público a pensar em nossa atual inércia no que tange às contestações sociais e provocamos também a reflexão sobre o que estamos fazendo com nosso passado tão exemplar”, afirma Carlos. O autor revela ainda que o grupo decidiu criar a Associação dos Amigos das Ruínas do Murutucu.

Para todos os membros da equipe, “Batista” é uma grande aposta em diversos sentidos. Além da mobilização paralela proposta, o fazer artístico encontra vias especiais, como explica Hudson: “O texto é denso, difícil. Montá-lo tem sido um exercício de me desafiar a representar um personagem tão grande, de me confiar ao olhar múltiplo da equipe para dar suporte à minha direção”. Entregue ao delicado compromisso de transitar entre a carreira musical e a cênica, Cacau Novais também comemora o momento que vem experimentando: “Além de subir ao palco para um trabalho diferente, o de teatro, é muito bom poder tratar de episódios históricos e resgatar a pessoa além do mito, mostrar um pouco do ser humano, da alma de Batista. Isso tudo nos faz lidar com o sentimento, com a dor, com a tristeza, mas também com a força e a coragem”. A iluminadora Sônia Lopes concorda: “Não conhecia a história de Batista Campos. Ao longo do processo de montagem, eu me deparei com informações sobre um homem guerreiro, forte e humano. Acabei me envolvendo com sua biografia”.

CELEBRAÇÃO E COMPROMISSO

O mergulho na composição autoral da trilha do espetáculo exigiu de Junior Cabrali pesquisa intensa e o uso de referências especiais. Uma delas é o som dos sinos. Segundo relatos bibliográficos, no dia em que a morte do cônego foi anunciada, os campanários de Belém soaram unanime e intensamente. “Mesmo precisando de madrugadas e madrugadas para editar áudios, compor trechos, gravar e criar coisas, sinto uma felicidade e segurança quase inexplicáveis com esse trabalho”, conta o músico. Responsável pelas fotos que expuseram o estado de abandono do Murutucu e subsidiaram a campanha de conscientização, Brends Nunes enfatiza: “Esse projeto se transformou numa grande celebração, um grande movimento de luta, dentro e fora da sala de ensaio”.

“Desde a sua gênese, essa montagem de Batista está de mãos dadas ao compromisso de chamar atenção para a relação entre teatro, História e Patrimônio. Ficamos felizes quando o Sesc Boulevard acolheu a estreia porque fisicamente o espaço está ao lado da Igreja das Mercês, que também foi um palco importante para a Cabanagem. O alerta com relação ao Murutucu aliou-se a nossa proposta. Vamos nos manter atentos a essa questão. De forma irredutível”, pontua Carlos Correia Santos.

Serviço: “Batista” é uma obra de Carlos Correia Santos. Texto vencedor do Prêmio IAP de Edições Culturais. Publicado pela Giostri Editora (SP). Essa montagem é uma realização da Companhia Teatral Nós Outros em homenagem aos 230 anos de Batista Campos. Espetáculo protagonizado e dirigido por Hudson Andrade. Participação especial: Cacau Novais. Consultoria de direção: Adriana Cruz. Concepção de luz: Sonia Lopes. Trilha sonora original: Júnior Cabrali. Demais fotos promocionais: Frederico Mendonça e Iara Correia Santos. Primeira temporada: dias 10, 11, 17, 18, 24 e 25 de maio, sempre às 20h30, no Sesc Boulevard. Entrada franca. Apoio cultural: Sesc Boulevard, Unipop, Revista Pará Mais e Gráfica Dmazon. Agradecimento especial a Cláudio Temporal pela preparação corporal. Informações: 8167-3835 / 8822-4453 / 8199-1322

VIDEO RELEASE:


TEXTO COMPLEMENTAR

Sobre as Ruínas do Murutucu

Um dos mais importantes engenhos da região, o Murutucu foi destruído durante os episódios da Cabanagem. De propriedade da família Rodrigues Martins, o engenho ficou conhecido pela crueldade com que eram tratados os escravos. A capela foi projetada por Antonio Landi, que nela imprimiu seu estilo. Ali foi realizado o casamento da filha do arquiteto, nora do dono da propriedade. Embora tenha sido construída ainda em 1711, pela congregação Carmelita, Landi modificou as feições na segunda metade do século dezoito.



É interessante saber que naquele espaço em que hoje sobrevivem as ruínas, já estiveram funcionando uma casa de engenho, uma roda d'água, o barracão para negros, uma casa de moradia e todos os apetrechos para a produção de melado e da rapadura.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

BATISTA - CAMPANHA RUÍNAS DO MURUTUCU - MATÉRIA TV LIBERAL (AFILIADA DA GLOBO)



BATISTA - RUÍNAS DO MURUTUCU - MATÉRIA TV LIBERAL (AFILIADA DA GLOBO) - BOM DIA PARÁ (Exibida nesta segunda, dia 23 de abril, no noticiário das 6h30). Essa denúncia faz parte do projeto "Ruínas da Memória", que a Companhia Teatral Nós Outros está provomendo atrelada à temporada do espetáculo BATISTA. Vamos coletar assinaturas para uma petição pública que cobrará providências para que o sítio histórico do Murutucu seja revitalizado. BATISTA é uma obra de Carlos Correia Santos. Texto vencedor do Prêmio IAP de Edições Culturais. Publicado pela Giostri Editora (SP). Essa montagem é uma realização da Companhia Teatral Nós Outros em homenagem aos 230 anos de Batista Campos. Com Hudson Andrade. Participação especial: Cacau Novais. Consultoria de direção: Adriana Cruz. Concepção de luz: Sonia Lopes. Trilha sonora original: Júnior Cabrali. Fotos promocionais: Brends Nunes, Frederico Mendonça, Carlos Correia Santos e Iara Correia Santos. Primeira temporada: dias 10, 11, 17, 18, 24 e 25 de maio, sempre às 20h30, no Sesc Boulevard. Entrada franca. Apoio cultural: Sesc Boulevard, Unipop, Revista Pará Mais e Gráfica Dmazon. Agradecimentos a Claudio Temporal.

domingo, 22 de abril de 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

ENTREVISTA CONCEDIDA AO DIÁRIO DO PARÁ - COMPLETA


Partilho com vocês a íntegra da entrevista concedida à repórter do Diário do Pará, Gil Sóter. Mais uma vez, nosso imenso obrigado ao fantástico espaço concedido pelo caderno Você a nosso projeto.

CARLOS, O QUE VOCÊ VIU NA SUA VISITA ÀS RUÍNAS DO MURUTUCU?

A reação que todos nós da equipe do espetáculo BATISTA tivemos ao chegar ao local em que se encontra o resto das Ruínas do Murutucu foi de perplexidade, tristeza e indignação. O acesso é feito por meio de uma cerca quebrada, mato alto e dejetos de toda sorte. Uso a expressão “resto” de propósito porque o que está ali hoje é uma vergonhosa sobra do que já foi uma joia rara para o acervo memorialístico amazônico. A única construção ainda valentemente acessível são as paredes da antiga capela. As ervas sobem pela estrutura, a umidade se apossa dela. Teias de aranha, sujeira tomam conta de tudo. É um lugar que grita sua situação de abandono. E faz chorar qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade. Verdadeiramente nos arriscamos para chegar ao local. Mas nos dedicamos a isso pelo compromisso de fazer as fotos como ferramenta de denúncia. Sinceramente, não bastam as alegações de que o Murutucu está tombado. Os trâmites, sejam eles quais forem, precisam estar a serviço da conservação e não apenas do congelamento. Decidimos unir o espetáculo a um projeto que batizamos de “Ruínas da Memória”, através do qual convidaremos as plateias a assinarem uma petição pública para exigir providencias em prol da revitalização, manutenção, abertura ao público e divulgação do sítio histórico das Ruínas do Murutucu.

QUAL PREJUÍZO TRAZ ESSE ABONDONO PARA A MEMÓRIA DE BELÉM?

Toda conexão com a memória histórica é fundamental para que, hoje, entendamos de onde viemos e para onde podemos ir. Uma peça de roupa do ontem, um pedaço de moeda, um documento. Tudo isso pode ser senha para nos esclarecer sobre condições sociais anteriores a nossa, que influem sobre o tempo atual. Quando se trata do sitio histórico das Ruínas do Murutucu estamos falando de um complexo arquitetônico. Imaginem o peso disso. Um conjunto de construções e áreas arqueológicas apinhadas de referencias sobre o nosso passado. O lugar tem, de cara, três aspectos cruciais: tem traços arquitetônicos do célebre Landi, foi palco de circunstâncias da trágica escravidão no Pará (guardava, portanto, testemunhos sobre isso que precisavam ter sido estudados e debatidos) e foi um importante acampamento cabano. De lá, as tropas cabanas marcharam para tomar Belém durante esse que é, sem dúvida, um dos mais importantes episódios históricos do Brasil. Não escolhemos fazer as fotos de divulgação do Batista lá à toa. Escolhemos por tudo isso. Desejávamos nos embeber dessas referências e energias, que também estão lá. Deixar o Murutucu nesse estado de abandono significa cuspir sobre o peso da nossa memória e isso é simplesmente indignante.


COMO COMEÇOU A BUSCA PELA HISTÓRIA DE BATISTA CAMPOS? O QUE TE MOTIVOU A DESCORTINÁ-LA?

Eu tenho esse compromisso com o que chamo de Dramaturgia Histórico-Investigativa. Eu preciso apostar nesse segmento porque esse gênero clama por atenção. Na verdade, estamos no bojo disso. Não é por acaso que tantas produções midiáticas têm se voltado a esse condão: filmes, produtos para TV, outras peças. A arte de hoje precisa dar as mãos à História para que nos entendamos. A necessidade de falar sobre Batista Campos, que em 2012 faria 230 anos, sobre a Cabanagem é mais um passo nesse sentido. Teatro, na origem da palavra, significa “lugar de ver”. Precisamos, paraenses, nos ver no palco. Temos urgentemente que aprender a refrear essa sede de que outros nos vejam, de que estejamos no pódio do sucesso no sul e no sudeste. Isso é bom, claro que é. Mas urge que nós vejamos uns aos outros aqui, antes, primeiro. Falar de Batista Campos é falar de um homem nosso que lutou por nós. Polêmico, controverso, mas, acima de tudo libertário, que ansiava para que tivéssemos nossa identidade própria. O gancho para transformar a saga do Batista em peça me foi sinalizado em 2006, quando eu acompanhava a primeira temporada da minha peça “Nu Nery”, que fala sobre outro grande ícone nosso: Ismael Nery. O trabalho teve montagem do Grupo Palha. Foi o ator Stéfano Paixão quem primeiro me provocou sobre o Batista. Escrevi o texto, ganhei com ele o Prêmio IAP que garantiu a primeira edição em livro. O texto ganhou uma nova publicação em São Paulo, da Giostri Editora e agora chega à cena, numa realização da Companhia Teatral Nós Outros, com Hudson Andrade e participação especial de Cacau Novais. A luz é de Sonia Lopes, a trilha sonora original de Junior Cabrali, fotos de divulgação de Brends Nunes, Frederico Mendonça e Iara Correia Santos. A consultoria de direção é de Adriana Cruz.

O QUE MAIS TE CHAMOU ATENÇÃO OU FOI REVELADOR NESSA TRAJETÓRIA DE BATISTA QUE VOCÊ DESCOBRIU NESSE PROCESSO DE PESQUISA PARA A PEÇA?

O que mais apaixona em Batista Campos é a condição humana dele. Trata-se de um homem. A despeito do sacerdócio – ele era cônego subdiácono – , estamos falando de uma criatura feliz por ser de carne e osso. Era uma figura apaixonante. Um grande orador, um estrategista, um articulador, um negociador sem par. E um indivíduo de um carisma tal que arrebatou legiões, sabia falar ao povo. Batista, por uma medíocre fatalidade, morreu às vésperas da primeira tomada de Belém pelos cabanos. Fazendo a barba, escondido nas matas, feriu uma espinhal carnal que gangrenou. Diz-se que o fato dele ter morrido tão precocemente favoreceu a fragilidade interna do movimento revoltoso. Se ele tivesse se mantido no levante, possivelmente nossa história política seria outra. Era um bravo, um ousado. Foi amarrado à boca de um canhão para que os revolucionários se intimidassem e se rendessem e, nem assim, sucumbiu. Desafiou seus opositores e disse: “podem disparar esse canhão, podem me dilacerar. Nós não nos renderemos”. Isso é um exemplo colossal. É isso mesmo: mesmo que nos amarrem à boca do canhão da desmemoria, nós não podemos nos render.

QUEM FOI BATISTA CAMPOS, AFINAL? E COMO ELE ESTARÁ NO PALCO?

Batista Campos foi um sacerdote, jornalista e agitador político. Redigiu aquele que é considerado o primeiro jornal da Amazônia, O Paraense. Era um dos grandes mentores da Cabanagem. Um orador excepcional. Polêmico. Viveu sem pudor a condição religiosa e mundana. A peça tem a estrutura de uma liturgia. Nela, Batista Campos reza, diante do público, uma missa em memória da sua própria história. Todos os elementos e momentos da missa são metaforizados para que o personagem ponha a plateia diante de sua impressionante biografia. As leituras, os salmos, o sermão, a eucaristia. Todos os esses aspectos litúrgicos viram atos cênicos.

CARLOS, POUCO ANTES DE BATISTA, VOCÊ FALOU DE OUTRO PERSONAGEM IMPORTANTE DA NOSSA HISTÓRIA RECENTE, QUE FOI MARGARIDA SCHIVASAPPA. POR QUE O TEATRO PARA TRATAR HISTÓRIA? EM QUE ESSES ESPETÁCULOS PODEM CONTRIBUIR PARA O RESGATE DA MEMÓRIA?

Quando uma pessoa se senta diante de um palco, de uma forma ou de outra, ela concorda em ver. Quando pegamos essa senha e ajudamos uma plateia a se ver, a ver sua História, tentamos ajudar esse público a se entender e se transformar. Temos uma grande lacuna educacional: nosso ontem glorioso e belo não é contado e ensinado nas escolas. Um crime. O teatro não vai resolver esse problema. Isso é, antes de mais nada, uma responsabilidade educacional e a arte não tem o condão primeiro de cuidar do educar formal. O que fazemos é provocar, incitar. É como se sussurrássemos: ei, veja como somos grandes por causa daqueles que vieram antes. Mantenhamos nossa grandeza.

EM QUE PÉ ESTÃO OS PREPARATIVOS PARA ESTREIA DE BATISTA?

Estamos a todo vapor. Ensaiando fortemente às terças e quintas, vencendo as dificuldades de fazer teatro sem patrocínio. Vencendo as dificuldades de lidar com profissionais que se comprometem com o trabalho hoje e se descomprometem irresponsavelmente depois, mas seguindo. Cientes de que estamos apostando num trabalho que não é apenas um capricho de entretenimento. É um compromisso com nossa memória, senha maior para que mantenhamos nossa dignidade histórica.

SERVIÇO:

BATISTA é uma obra de Carlos Correia Santos. Texto vencedor do Prêmio IAP de Edições Culturais. Publicado pela Giostri Editora (SP). Essa montagem é uma realização da Companhia Teatral Nós Outros em homenagem aos 230 anos de Batista Campos. Espetáculo protagonizado e dirigido por Hudson Andrade. Participação especial: Cacau Novais. Consultoria de direção: Adriana Cruz. Concepção de luz: Sonia Lopes. Trilha sonora original: Júnior Cabrali. Demais fotos promocionais: Frederico Mendonça e Iara Correia Santos. Primeira temporada: dias 10, 11, 17, 18, 24 e 25 de maio, sempre às 20h30, no Sesc Boulevard. Entrada franca. Apoio cultural: Sesc Boulevard, Unipop, Revista Pará Mais e Gráfica Dmazon. Agradecimento especial a Cláudio Temporal pela preparação corporal.